quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Aspectos da vida na Escandinávea (V)

O Vizinho

Dia desses o vizinho fez contato. Veio pedir um martelo emprestado, que eu não tinha. Ele estranhou. Disse que ouvira diversas batidas semelhantes a pregos sendo inseridos na parede. Eu contra-argumentei que deveria ser a reforma no apartamento de baixo, que estava sendo preparado para o próximo inquilino. Só uns três dias depois é que fui notar que o barulho que ele ouvia eram as pancadas que eu dava o cabo da faca quando amassava alho. Mas não expliquei nada, e ele deve estar pensando que eu regulei o martelo.
O cara é meio esquisitão. Uma vez eu estava do lado de fora do meu ap e ele foi passando no andar de baixo, seguido por um rotiváiler mamutesco. De repente, ele pisa em falso num degrau muito pequeno e se estabaca no chão. Eu tentei esconder o riso e entrei logo em casa antes que ele me visse (para não constrangê-lo). Mas ele me viu. Talvez por isso tenha demorado tanto a fazer contato.
A figura é esquisita mas gente fina. Convidou-nos a conhecer sua casa – o rotiváiler lá, babando no canto da boca, cheirando lá onde não deve. E não só o cão. Tem também um gato alaranjado, peludão; um ramster, um peixinho dourado e uma tarântula enooooorrrrrrme. Toda a cadeia alimentar reunida em menos de 30 metros quadrados. O mais impressionate e que nunca ouvi um latido ou miado que seja. Muito comportados os bichos. Só o rato que precisa de adestramento. O quicquic dele às vezes incomoda.
O nome do cara é Miguel. Em dinamarquês fica mírrel. Convidou-nos para um café num dia qualquer. Retribuimos a deferência e apresentamos-lhe o nosso ap, no que ele recomendou-nos colocar alguns quadros na parede – ele ia arrumar o martelo e emprestar-nos. Mas dissemos que não poderíamos, porque o zelador havia nos proibido de furar a parede sob pena de pagar ‘muito caro por isso’. Ele disse que era caro coisa nenhuma, que sabia por que era pintor de paredes.

Hummm.
Estamos no aguardo do café.
Talvez eu lhe faça uns pães-de-queijo da Yoki. Minha sogra, quando em visita, trouxe-nos uma dúzia de saquinhos do Brasil.

Drible cultural

O outono mal havia chegado à metade e nevou ininterruptamente por três dias na segunda semana de novembro. Ficou tudo lindo e branquinho. E frio. E escorregadio. Depois derreteu. Virou lama e tal. Mas é uma coisa assim onírica isso de ver nevar. Neve já tinha visto, nos Alpes, nos Andes, mas nevando foi a primeira vez. Eu e Cris ficamos tão maravilhados que tiramos umas 200 fotos. Pensamos que ia ser rapidinho, e que deveríamos aproveitar a oportunidade, já que na Dinamarca – dizem – neve não é comum. Mas foram 72 horas de gelo caindo. Não foi assim uma nevaaaaasca. Deve ter caído uns 15, 20 centímetros de neve. Mas ventou muito e a temperatura oscilou entre 2 e -4 graus célsius.
A neve começou a cair na sexta-feira no fim da tarde (está anoitecendo às 16 horas atualmente). Pela manhã, no sábado, foi uma farra. As crianças saíram às ruas com seus trenós para escorregar nas ladeiras gramadas cobertas pelo tapete branco. Duas muito pequenas, irmão e irmã, seis e quatro anos, gastaram umas três horas fazendo um boneco de neve, que iria derreter na segunda-feira.



Paisagem branca de neve em Roskilde a pai atleta que corre com o carrinho de bebê adaptado para o cooper matinal


Na tarde daquele sábado fomos ao Tívoli, um parque quase mitológico em Copenhagen. Já estava todo decorado para o Natal, com luzes, pinheiros, renas, duendes, papais noéis e... Neve. Uma mãozinha de São Pedro. Coisas que a gente do Brasil só vê pela TV, nos desenhos animados da manhã de 25 de dezembro – O Natal do Mickey.
Fomos ao Tívoli assistir a uma peça de teatro que deveria falar sobre o Natal. Mas que nada! Era um salgadinho (apresentação sob encomenda) de uma companhia britânica. Um compêndio de clichês muito engraçado, mas de algum mau gosto. Sherlock Holmes deveria descobrir quem matou Hamlet, o príncipe da Dinamarca.
O suspeito número 1, vejam vocês, era Silvestrinho Sibilante, um jogador de futebol brasileiro que só pensava em sexo e que casou-se com a raínha, o estereótipo da viúva ninfomaníaca.
O ator que representava o brasileiro deu ao personagem um inglês notadamente italiano e o samba do carnaval que eles tocavam era mexicano - ou cubano -, uma mistura de rumba e salsa. Quase me ofereci para uma consultoria cultural. Mas era tecnicamente perfeito o espetáculo. Todos cantavam esplendidamente, a sonoplastia era feita ao vivo e tudo era muito, muito bem marcado. Hilariante mesmo em inglês.
Graça a Deus nem O Patinho Feio nem O Pinheiro (estórias do famoso fabulista dinamarquês Hans Christian Andersen) apareceram em cena. Mas ao final, Silvestrinho era um disfarce de um professor alemão “fom” não sei de quê: um fascista - e que não era alemão, era austríaco -, para constrangimento dos alemães na platéia.
Foi tudo muito interessante. Mas depois de um passeio de oito horas no gelo, fiquei muito feliz ao chegar em casa e constatar que meus dedos dos pés, congelados e doendo enlouquecedoramente, ainda podiam ser salvos. (Um exagerozinho do barriga-verde aqui.)



Cristina no Parque Tívoli, em Copenhagen, que já decorado para o Natal, parece um cenário de conto de fadas

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Vai um baseado aí?

É terra de maluco mesmo, em muitos sentidos, essa Dinamarca.
É um povo tão certinho que não dá para entender como eles permitem que exista, no coração de Copenhagen, um bairro hippie onde a venda e o uso de maconha e de haxixe é tolerado. Não quero entrar no mérito do julgamento, se é certo ou errado liberar a maconha, mas é terrivelmente contrastante com a rigidez das regras da sociedade daqui, onde o senso do dever é quase patológico - nos trens há uma área silenciosa e, às vezes, se algum desavisado fala alguma coisa, é repreendido constrangedoramente.
Christiania fez 37 anos no último dia 26 de setembro. Fomos lá conferir a festa. Tava rolando shows, apresentações e, claro, muuuuita marijuana.
Gente. Nunca vi tanto maconheiro junto, fumando numa boa, vendendo, oferecendo trago (pega). E foi chegando tanto maluco ao longo do dia que lá pelas três da tarde era até difícil enxergar através da névoa. Fiquei doidão só de respirar! Brincadeira!
Christiania surgiu no início da década de 1970 depois que um grupo de hippies e artistas ocupou uma vila militar desativada em Chistianhavn, uma área muito bonita de Copenhagen, com um lago espetacular. Ocuparam os prédios dos milicos, construíram casas improvisadas e decretaram a Cidade Livre, com regras próprias, moeda local e governo independente.
Na época, guerra do Vietnã, o discurso hippie antiviolência ganhou popularidade entre os dinamarqueses e o pessoal foi ficando. Era bonitinho, politicamente correto e tal.
Depois virou problema social. Muitas famílias moravam no lugar, mas não pagavam água, luz, limpeza. E vendia-se em Christiania tudo quanto é tipo de droga. Fizeram um acordo com o governo. Passaram a pagar pelos serviços públicos e baniram drogas pesadas como cocaína e heroína. A polícia, claro, não gosta nada da idéia de ver droga sendo vendida por ali, mas não se mete, já que existe um pacto chancelado no Parlamento Dinamarquês.


Portal de entrada de Christiania, comunidade hippie que ocupou área militar numa das regiões mais bonitas e valorizadas de Copenhagen

Nos anos 70 e 80 o pessoal de Christiania era muito irreverente na crítica à guerra fria e ao capitalismo de base estadunidense. Certa vez, por ocasião de uma reunião da Otan em Copenhagen, os artistas de lá invadiram o estúdio de uma estação de rádio e simularam um boletim urgente anunciando a invasão da Dinamarca pelos Estados Unidos.
Foi um fuzuê no país todo.
Noutro ano, na véspera do Natal, o pessoal se vestiu de papai Noel para fazer o Natal dos desvalidos. Saquearam lojas de brinquedos e os entregaram a crianças pobres. A polícia deu em cima, prendeu todo mundo e as fotos dos papais noeis sendo carregados pelos policiais correram mundo nas capas dos jornais.
Em Christiania rola muita coisa legal. Além de toda liberdade (só não pode tirar foto do pessoal vendendo droga), um restaurante vegetariano, muita arte, apresentações circenses e um templo budista que já recebeu a visita do Dalai Lama e onde rola indefinidamente uma campanha Free Tibete. Mas, claro, também há divisão social entre os próprios moradores. Os que chegaram primeiro vivem nos quentes e em construídos edifícios militares. Um apartamentos têm até sacada. Há também chalés na beira do lago que para Dinamarca é coisa de milionário. Mas há quem viva em trailers caindo aos pedaços, barracos de madeira e papelão, totalmente improvisados; lembra claramente uma favela...
Depois de um tempo analisando porque os dinamarqueses aceitam Christiania cheguei à conclusão de que é porque a comunidade contribui com a imagem – superdimensionada - de tolerância da Dinamarca. Não é uma sociedade tão aberta assim.
Fui embora de Christiania meio grogue. Tinha uns cinco mil baseados acesos quando parti. No portal da Cidade Livre, à saída, li a inscrição em tom de alerta: “Você está entrando na União Européia”.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A capital do século XX

(O texto a seguir é uma pincelada geral sobre a visita que eu e minha mulher, Cristina, fizemos à capital da Alemanha entre os dias 12 e 17 de setembro de 2008. Já tem mais de mês, eu sei, mas é que estamos com visita (meu sogro e minha sogra) e aproveitando para visitar outras atrações. O tempo está um pouco curto. Mas vamos lá. A Terra gira.
Abaixo, depois da geral, acrescento os detalhes das principais atrações de Berlim.
Boa viagem.)

Berlim reuniu mais história no último século do que qualquer outra cidade no mundo todo. Foi palco principal das maiores tramas do nosso tempo: as duas grandes guerras, o holocausto (para muitos a maior tragédia da humanidade), a guerra fria. Em contraste com seu passado glorioso, hoje em reforma, ainda são frescas as lembranças deste período tão obscuro para uma cidade que só recentemente foi libertada da barreira política, física e psicológica que a separou por quase meio século.
O povo é gentil, acolhedor e prestativo, diferente da imagem fleumática do germânico. Nos poucos dias que estivemos em Berlim fomos abordados por duas pessoas que, pressentindo nossa dificuldade com endereços, ofereceram ajuda. Por outro lado, diferente da Escandinávia, nem todo mundo fala inglês, nem mesmo os funcionários dos hotéis – resquícios da cortina de ferro, onde o estudo das línguas ocidentais era praticamente um crime.
Os berlinenses também se mostram envergonhados de seu passado. Um jovem que nos ofereceu ajuda no metrô fez questão de recomendar uma visita a Sachsenhausen, um antigo campo de concentração e de prisioneiros convertido em museu nos arredores da cidade. Disse que era um espaço deprimente (de fato o é), mas que deveria ser visitado e que tal episódio - o assassinato dos judeus - nunca deveria ser esquecido.
Berlim ainda é um canteiro de obras mesmo 60 anos após o fim da Segunda Guerra - os bombardeios aliados aniquilaram praticamente todos os prédios da cidade. As construções, porém, hoje concentram-se no lado oriental, que conhece um espantoso boom imobiliário próprio de seu capitalismo lactente.
É também do lado leste que se encontram os grandes monumentos e patrimônios arquitetônicos e culturais da antiga pérola do Império Prussiano, hoje em reforma para que sejam convertidos em museus e locais de visitação pública (a União Soviética, que chegou primeiro a Berlim para dar um fim definitivo à guerra, cobrou caro pelo seu milhão de soldados mortos, ficando com o melhor da cidade).
Berlim respira cultura, arte, cosmopolitismo e energia. Os melhores maestros do mundo regem as orquestras de lá. Grandes mestres da pintura mundial encontram-se em suas galerias. Os maiores artistas da música pop (Madonna foi o último) a incluem invariavelmente em suas turnês. Até Barak Obama fez um comício recentemente que reuniu impressionantes 100 mil alemães.
Ao lado de Berlim, a 40 minutos de metrô, está Potsdam (o metrô merece o parêntese, pois há outra cidade subterrânea, com um sistema impressionantemente eficaz com incontáveis estações e rigorosíssimo nos horários). Potsdam, a jóia da dinastia dos Frederico, os grandes reis germânicos, é parada obrigatória. Com vários castelos e edifícios históricos (alguns em reconstrução), principalmente no Parque Sansouci, Potsdam está para a Alemanha como Versailles está para a França. É incrível. Tire pelo menos um dia para caminhar pelo impressionante jardim.
Um passeio honesto por Berlim e arredores merece bons 10 dias. Tive só a metade disso. E uma frente fria que fez a temperatura despencar a menos de 10 graus tornou particularmente dolorosa a visita ao campo de concentração de Sachsenhausen.


Fotaça do "morrinho artilheiro" comigo, Cristina e o Reichstag reformado emoldurando: vale uma subida na cúpula modernosa

Um monumento à vergonha

Como a história é contada do ponto de vista dos vencedores, o monumento em Sachsenhausen mostra o soldado do Exército Vermelho resgatando os desvalidos do horror nazista. O campo de judeus depois virou campo de prisioneiros dos opositores do regime soviético

Um espaço ermo, um silêncio claustrofóbico. Um nauseante cheiro de morte, de dor, de lembrança. O campo de concentração de Sachsenhausen é assim, um cenário perfeito para a reflexão sobre um episódio tão horrível, o Holocausto judeu. E especificamente naquele dia o frio e o vento cortante tornaram a experiência mais torturante. Não bastava tudo ser tão difícil, em frente às câmaras de execução a máquina fotográfica escorregou da minha mão trêmula, caiu e quebrou, para tornar a visita completamente depressiva.
Sachsenhausen é outra herança do fim da guerra fria. Ficou sob domínio soviético para transformar-se em campo de prisioneiros políticos nos cinco anos seguintes ao fim da Segunda Grande Guerra. Na década de 1990, com a unificação, ganhou status de patrimônio nacional à vergonha. É uma instituição pública, de visitação gratuita, onde os alemães expiam as culpas de seus antepassados. Toda a história do campo, narrada em tom trágico, pode ser acompanhada em áudios-guias em várias línguas (menos português) ao preço de três euros. Compensa pagar pelo espanhol, que se entende sem dificuldade.
Chama a atenção no campo a vala de execuções e as câmaras nas quais não se permitia aos soldados nazistas ver os prisioneiros que eram executados com um tiro na nuca (eles estavam tendo problemas psicológicos, coitados). Nos marcos das valas comuns milhares de pedras depositadas por judeus que visitam os campos em homenagem ao seu povo. E estrelas de Davi montadas em velas levadas pelos visitantes ilustram a indignação e o orgulho dos israelenses nas câmaras de extermínio.
O museu que retrata casos de prisioneiros com recursos multimídia, cartas e documentos originais recuperados é revelador. Lá se encontra ainda o que restou de um alojamento com camas de madeira em três lances que serviram de inspiração a muitos filmes; os banheiros; sala de tortura, além de objetos como roupas e utensílios originais ou reconstituídos.
O detalhe importante do barracão, não deixe de notar, são as paredes de madeira do alojamento totalmente queimadas. Estão assim preservadas com um vidro protetor como monumento à intolerância que ainda persiste na Alemanha. O barracão pegou fogo em 1992, logo após a visita do então primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin. O incêndio é atribuído a grupos neonazistas, que desde a inauguração do memorial já perpetraram mais de 60 ataques a Sachsenhausen.
Hoje o campo é todo fiscalizado por dezenas de câmeras de vídeo.

Lembram-se do final de A Lista de Schindler: olha as pedras depositadas pelos visitantes em memória dos mortos

Avant-première no mundo dos grandes espetáculos

O maestro argentino Daniel Baremboim, titular da Staatskapelle Berlim, que regeu e ainda mandou ver no piano (a foto é divulgação da Staatskapelle)

Quanto a vocês eu não sei qual seria a reação. Mas eu fiquei eufórico demais quando pesquisava pela internet o que fazer em Berlim e descobri que justamente no período em que estaria lá aconteceria o Musik Fest Berlim, uma seleção do melhor repertório clássico, da ópera e do ballet produzido no ano na Alemanha.
Queria assistir a tudo, o dia inteiro, a noite toda. Mas havia alguns problemas. Estava meio em cima da hora. Como fazer isso da Dinamarca? E o principal: quanto custaria? Pesquisando um pouco mais descobri um site que é um achado. Você adiciona o prazo e o tipo de atração que deseja e ele te mostra o que está acontecendo ou o que vai acontecer.
E ainda indica como comprar pela internet mesmo.
Era um sonho...
Nem tanto.
Estava praticamente tudo esgotado. Sobraram poucas cadeiras, naturalmente as mais caras (200 euros), para as óperas nas grandes casas. Ao fim restou-me um concerto na Staatskapelle Berlim com dois assentos por 10 euros (era tão barato que depois de comprar eu imaginei que seriam atrás dos pilares). Não entendi muito bem o que iam tocar mas só o maestro, Daniel Baremboim, já me convenceu: é uma estrela dourada da música clássica mundial. É argentino, curiosamente. Tenho uma gravação dos réquiens de Mozart e de Verdi regidas pelo Baremboim para a EMI - coisa para qualquer um não, a regência para a EMI.
Paguei com meu cartão de crédito os 20 euros dos convites para mim e Cristina e imprimi o recibo. Lá dizia que em dois dias os tickets estariam na minha caixa de correio em dois dias. A não ser se eu morasse fora da Alemanha, onde o prazo é de 10 dias. Ué? Danou-se. O concerto era em quatro dias. Mas logo eles explicaram no papel que meus convites estariam disponíveis no escritório da casa de espetáculos.
Maravilha. Tudo lindo.
No sábado, já em Berlim, eu e Cristina curtimos o city tour até umas seis da tarde quando o ônibus parou em frente à Staatskapelle. Decidimos recolher nossos convites e, para nossa desgraça, o escritório estava fechado desde as duas da tarde. Fiquei chateadíssimo com a possibilidade de perder o concerto e os meus 20 euros. Mas ainda assim tentaríamos entrar só com o papel do recibo – que o rigor alemão certamente não aceitaria. Já estávamos meio conformados, mas iríamos tentar mesmo assim.
Andamos um pouco mais à pé por Berlim e às 19h30 decidimos que era hora de voltar à Staatskapelle para o concerto, marcado para as 20 horas. Fomos de metrô, para não atrasar – sem convite e ainda atrasado não havia nenhuma chance. Descemos do metrô e, para variar, nos perdemos. Chegamos à entrada às 20 horas em ponto. Por sorte - temos de ter alguma -, o cidadão da bilheteria falava inglês. Disse que nossos convites estavam na bilheteria. Fomos até lá voando. No balcão fomos abordados por um jovem: - Tenho um de 15, tu queres? – Eu honestamente fiquei sem entender de onde havia saído aquele gaúcho no meio de Berlim, junto a toda aquela correria e angústia. Cheguei a pensar que era assalto, mas Cristina interviu mostrando os nossos ingressos e ele fez um gesto com o polegar. Jóia.
Agradecemos e subimos as escadas de dois em dois lances. A platéia já aplaudia a entrada do Baremboim quando achamos nossos assentos, bem em cima, do lado esquerdo; não tinha pilar na frente, mas o corrimão do piso superior ficava bem na linha da cabeça do maestro e na lateral perdia-se a visão de 20% da orquestra.
Ok, pelo menos dava para ouvir bem.
Começou a apresentação. Baremboim regendo e dando canja ao piano. Cristina me pergunta qual era o programa e eu... Sei não, lembro não.
No breve intervalo da primeira peça corri ao saguão e pedi o programa: 2,50 euros. Paguei. Tinha tudo lá.
Em alemão.
Mas consegui identificar a obra: ... Quer dizer, o autor, Elliott Carter, um norte-americano. As obras eram de 1993, 1996, 2002, 2003 e 2006, uma salada.
Mas gente. É moderna demais. Tem de ser muuuiiito apreciador de música clássica para achar bom. Eu gosto muito mesmo, mas não é assim muuuuuuuuuiito desse jeito não.
Teve hora que ficou chato.
Dava a impressão de que ali só tinha músico, professor ou estudante de música na platéia.
Já estou ficando metido: olha o videozinho que fiz, escondido, com uma câmera

Restou testar meus conhecimentos sinfônicos – que ao final se revelaram restritíssimos. Tentava identificar os sons, os instrumentos, encontrá-los no meio da orquestra.
Depois do piano do Baremboim veio uma dona, mezzosoprano, para cantar falando. Era norte-americana, de Nova Iork. Voz potente. Eu, claro, não entendia nada do que ela dizia-cantava, mas era chatíssimo.
Na próxima peça um chileno ia fazer solo de... de... - Como é que chama aquela corneta engraçada lá, Realle? – Indagou Cristina.
Eu esqueci. Estava em algum lugar da HD que eu não conseguia acessar. Sabe quando o biscoito está lá no alto do armário, você fica na ponta dos pés, e quando encosta no pote ele vai mais para o fundo? Era assim meu cérebro naquele momento. Eu pensava: bambolina, bardolino, caraminhola... Nada. Depois de 15 minutos naquela angústia (vocês também já sentiram isso) lembrei do programa. Fui e lá estava. Em alemão. Horn (corneta?). Horn não servia. Desisti e voltei a prestar atenção na orquestra.
A outra peça foi bem legal porque tinha nada menos do que quatro percussionistas. Instrumento que eu nem imaginava que existisse. Gongo. Xilofones de madeira, metal, chifre, sei lá; vibrafones, caixas, tic-tacs, ganzá, reco-reco, pratos. Enfim, um monte de instrumentos, os quatro caras trançando de um lado para o outro para socorrer o colega, virar partitura, bater no tímpano. E, de repente, algo me chama a atenção. Mostro para a Cristina o percussionista com uma espécie de marreta na mão. Enorme.
E o cara dá uma porrada com toda força numa caixa de madeira.
Pláááa.
Cruz credo.
E acabou o concerto.
O povo aplaude com entusiasmo. E aplaude mais.
Devia ser uma avant-première desse Elliot Carter, né? Como a alemãozada aplaude!
Fica de pé.
A mão dói de tanto bater palma! E o maestro vai embora e povo continua a bater palma.
E o maestro volta. Cumprimenta a platéia. Chama os solistas.
E dá-lhe palmas.
Vai embora de novo e povo não pára de bater palma.
Já tava dando no saco aquele vai-vem.
E volta o maestro e o povo aumenta as palmas. Ele apresenta todo mundo da orquestra, instrumento por instrumento.
Pede palmas.
O maestro também bate palmas.
E sai.
E nada dos alemães pararem de bater palma.
E volta o Baremboim. Ganha flor.
Já vai uns 20 minutos de palmas nessa p...
Na quinta vez que o maestro saiu eu apelei. Fui embora para o hotel pôr gelo na mão.

Os jardins reais de Potsdam

Magnifica escadaria que dá acesso ao Palácio de Sansouci, em Potsdam, Alemanha
Potsdam vale um dia ou dois no seu passeio pela Alemanha. Fica a 40 minutos de Berlim num trem bastante confortável. O Parque Sansouci é deslumbrante e seus jardins rivalizam com Versailles, na França. Os Frederico, linhagem de monarcas prussianos, construíram ali seus monumentos. Vários castelos suntuosos que hoje abrigam exposições de arte e guardam um pouco do modo de vida da elite germânica nos séculos 18 e 19 e uma biblioteca monumental.
Potsdam esteve durante cinco décadas escondida atrás da cortina de ferro da Alemanha Oriental e atualmente seus patrimônios artísticos, culturais e arquitetônicos encontram-se em reforma, como é o caso da biblioteca, para receber turistas. A maioria deles, diga-se, alemães, russos e poloneses.
Cruze a pé os jardins de Sansouci e descubra os muitos monumentos que não estão nos guias turísticos. Admire as fontes, os túneis de vinhas, as flores magníficas, o desenho paisagístico, as escadarias espetaculares que dão acesso ao antigo palácio. Se você for por lá em meados de outubro poderá desfrutar das uvas e figos frescos, que são cultivados nas escadarias, ao alcance das mãos. Colha-os sem fazer muito alarde, pois não sei se é permitido. Eu não resisti e chupei uns três cachos de uvazinhas tintas muito azedas por conta de sua colheita prematura.
Tire fotos, muitas fotos. Leve pão para alimentar os patos. Curta a caminhada nos gramados. Perca-se entre as árvores. Depois, visite a interessante galeria onde você poderá ver obras da coleção monárquica. Artistas alemães consagrados e, surpreza!, a Dúvida de Tomé, de Caravaggio, onde o discípulo enfia o dedo na ferida aberta no peito de Cristo. Uma obra prima. E prepare-se para a choradeira incessante nas queixas contra a Rússia, que se recusa a devolver as obras de arte surrupiadas durante a era soviética.

Neues Palais, no lado oeste do Parque Sansouci

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Insônia eleitoral

Por conta do TRE fiquei acordado até três da manhã desta segunda-feira. Fiquei em contato direto com os amigos do DM trocando impressões e me informando dos bastidores. Que rolo esse que aprontaram?! Vendo a minha, fico imaginando a angústia dos meus amigos candidatos a vereador com tanta demora!
Um caminhão de urna pifada!? Hummm!!
E essa desembargadora presidenta, hein? Mais uma dela. Que coisa esquisita ela de própria voz proclamar a vitória do Iris Rezende, apesar de não ser mais novidade para ninguém. (Será que foi pedido do Marconi?)
Quer saber? Faz tempo que eu não confio em urna eletrônica. Desde que o Djalma Araújo (PT) teve garfada a eleição de deputado estadual em 2002.
Lembram-se? Eu lhes refresco a memória.
No geral, Djalma ficou 50 votos atrás de Mauro Rubem (também PT), o último dos eleitos da coligação. Só que na principal base do Djalma, o Setor Itatiaia, já no fim da votação uma urna eletrônica travou. Mais ou menos uns 300 votos lá dentro foram para o saco. Dos outros 100 eleitores que votaram no papel, metade assinalou Djalma. Era de se imaginar que ele teria outros 150 votos dentro dos 300 que foram torrados. Nas outras urnas do Itatiaia, Djalma teve média de 200 votos. O Djalma reclamou, obviamente, mas o TRE fez que não era com ele, pois o problema colocava em cheque todo o elogiadíssimo sistema de votação eletrônica. Poderia ser aquele o primeiro problema grave de uma série de outros que viriam ocorrendo? Nenhum mortal sabe...
E além do mais, tem hacker que entra em sistemas seguríssimos como o do Pentágono. Ferrar urninha eletrônica superbásica deve ser brincadeira de adolescente micreiro.
Mas a eleição reservou surpresas. As principais, e não necessariamente nessa ordem, as vitórias de Gari Negro Jobs e Túlio Maravilha.
Incrivelmente (aliás, não deveria ser novidade considerando as eleições dos dois nomes acima), o melhor vereador de Goiânia na última legislatura, Elias Vaz (PSol), foi o eleito com o menor número de votos. Mas foi estratégico e inteligente. Elias dividiu sua base de apoio numa chapa pura que conseguisse alcançar a proporcionalidade. Não o fizesse, teria perto de 10 mil votos e morreria sem atingir o quociente.
Boas notícias também as derrotas de Amarildo Pereira INSS e de Josué Gouvêa (não gosto desse cara depois que ele traiu o irmão da própria igreja, o deputado federal João Campos, para apoiar o endinheirado Chico Abreu); de Antônio Uchoa 44 e outros que sequer lembro o nome de tão insignificantes.

No quadro estadual tenho a mesma impressão que todos têm por ai. O PSDB se ferrou e o PMDB já pode pensar seriamente em investir na candidatura de Iris ao governo.
Gente... Jardel Sebba, Marlúcio Pereira, Jean Darrot, Ridoval Chiareloto...
Que decepção...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Aspectos da vida na Escandinávia (IV)

Eu entendo a cobrança a respeito dos textos sobre Berlim e me desculpo pela demora. Eles até já foram escritos, mas eu estou com alguma dificuldade para escolher as fotos. E também recebemos a visita da Ana Lúcia, grande amiga, e tivemos de ciceroneá-la por Copenhagen (tarefa difícil!). Enfim, agora estou partindo para Amsterdã. Volto no fim de semana com muito assunto na bagagem. Deixo um texto que escrevi dia desses sobre um importante detalhe da vida na Dinamarca:

As flores
Jardim na Dinamarca é coisa mística, sagrada. As famílias se esforçam para manter um, mesmo que seja apenas um vasinho ou uma floreira na janela. Os mais afortunados, aqueles que têm quintal - o que é raro aqui, pois moradia é caríssima – se orgulham muito de suas muitas flores.
Quando deixei na internet um pedido de ajuda para arrumar casa na Dinamarca um cidadão que aqui morara me respondeu que o mais importante era o jardim... Por uns dias fiquei apavorado, porque no meu bolso só cabia apartamento. Aí uma mestranda da Universidade de Copenhagen esclareceu a questão. Disse que jardim é legal, aproxima as pessoas e alegra o ambiente, mas para quem ia ficar só seis meses era besteira, pois no inverno morre tudo, sobra só os galhinhos secos.
Então, para aproveitar as floradas do verão, nas calçadas há diversos floristas vendendo tudo quanto é flor e planta, de rosas a girassóis, de coqueiros a bonsais. Nos supermercados idem. Até em loja de móvel se vende planta. Eu e Cristina, claro, compramos três vazinhos, uma campânula, um canaxuê e uma orquídea.
O mais interessante mesmo aqui é o mato. Uma amiga da Cris até já havia alertado de que na Dinamarca em vez de capim, nos lotes baldios nascem flores. Realmente. É chocante. Acaba que é mato mesmo, mas é baixo, bem rasteiro, e cheio-cheio-cheio de florzinhas de todas as cores. É impressionante. E o melhor: não tem dono. Flor pode pegar, ao contrário das maçãs.
Claro. Quando nós chegamos aqui tinha muito mais flor no mato. Mas agora que deu uma esfriada raleou. Toda vez que eu cruzava os 300 metros que ligam minha casa à estação de trem de Trekroner ficava de olho nas florzinhas.
No dia que a Ana Lúcia, uma amiga de Goiânia, chegou para nos visitar, fiz minha primeira colheita - para impressionar. Olha o resultado aí na foto.
Coube certinho no pote vazio de nescafé.





segunda-feira, 22 de setembro de 2008

É o samba do pica-pau amarelo...

Gente, vamos esclarecer uma coisa: até onde pude ver a Dinamarca não tem nenhuma tradição no confeito de chocolates. Na Europa chocolate bom mesmo vem da Bélgica e da Suíça (o toblerone está fazendo 100 anos).
- Mas, mas... Como assim? - você pergunta.
Eu explico. É que toda vez que falo a um brasileiro que moro na Dinamarca ele diz para eu comer muuuuuito chocolate. Eu não refuto para o sujeito não ficar com vergonha.
Mas veja bem.
Os chocolates da marca Kopenhagen - muito bons por sinal - são totalmente made in Brasil. A primeira fábrica surgiu na década de 1920 no bairro do Itaim Bibi, São Paulão capital. Tem nada a ver com a capital dinamarquesa. Só o nome, que por sinal é o sobrenome dos fundadores da empresa no Brasil, um casal de imigrantes letões (calma de novo; letão é quem nasce na Letônia, país que fica do outro lado do Báltico, colado na Rússia, e que entrou dia desses mesmo para a União Européia).
Eu sei que não é fácil. Ainda mais porque o doce mais consumido da Dinamarca é idêntico ao famoso Nhá Benta da Kopenhagen, aquele marshmallow envolto em chocolate. Eles devem ter feito isso para confundir mesmo.
Aliás, outra semelhança muito própria para causar confusão. Tem uma marca muito popular desse doce aqui. Ela pode ser encontrada com facilidade em qualquer supermercado. O nome da marca é...
SAMBA.
Pode?

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Olha que idéia legal!

Quando falei da comida na Escandinávia escrevi que as ervas aqui são vendidas vivas nos supermercados. Pois é... Bem que poderiam fazer a mesma coisa no Brasil, já que até nos viveiros é difícil encontrar.
Quando quis fazer uma hortinha em casa, em Goiânia, só achei naqueles caminhões que todas as quintas-feiras chegam à cidade vindos de Holambra, São Paulo. Foi indicação da paisagista Vânia Celidônio, na amizade.
Os caminhões ficam escondidos nas ruas adjacentes às das principais floriculturas – no Cantinho do Professor, Setor Universitário, pára um. Mas não digam a ninguém! É que eles só podem vender no atacado (para você comprar mais caro na floricultura).
O pior de tudo é que se não bastasse a dificuldade de achar o caminhão ainda tem de subornar o motorista ou gastar muita saliva para conseguir um vasinho. Mas o preço compensa e tem de quase tudo de erva, flor e outras plantas.
Enfim, não resisti e comprei um vasinho de manjericão (aqui na Dinamarca ele se chama basilikum). Olha ele na foto aí embaixo decorando minha janela. É lindo, né não? Corta o coração ter de comê-lo.

Mas o farei, pelo menos em parte, hoje à noite. Vou preparar um tagliatelle – massa chata de mais ou menos meio centímetro – para a Julia, uma alemãzinha muito meiga e gente boa amiga da Cristina que vem nos visitar hoje e dar dicas do que fazer em Berlim.
Partimos amanhã para a capital germânica, e no fim da semana que vem volto cheio de novas histórias para contar a vocês.
Até lá quem sabe meu basilikum já se recuperou da poda de hoje.

Ah! Se o tagliatelle dinamarquês ficar bom eu posto a receita. ;)
Fui.


Meu vasinho de manjericão, adquirido por DKr 18 (R$ 6) no Super Brugen, supermercado para granfino que abriu aqui perto recentemente

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Aspectos da vida na Escandinávia (III)

Se você é novo aqui no blog pode acompanhar a série desde o princípio. É bom para entender o contexto. Clique neste link, Aspectos da vida na Escandinávia (I), ou leia os textos de baixo para cima. Hoje vamos falar de coisa muito boa:


Minha nascente adega: Rosso de Montalcino ao centro, ladeado por garrafas de vodka e de vinho do porto. Ambas já pela metade...

O Vinho

Se a Escandinávia produz vinho eu ainda não vi. Nas gôndolas dos supermercados ou nas adegas encontra-se de tudo e do mundo inteiro. Chamou-me a atenção os vinhos chilenos e argentinos, alguns bem conhecidos no Brasil, como os das casas Concha & Toro e Trivento. Vinhos franceses, espanhóis, italianos e portugueses também são encontrados, mas parece haver alguma curiosidade pelos produtores do novo mundo, com californianos, sul-africanos, australianos e neo-zelandeses recebendo destaque.
Nos supermercados baratos encontra-se portos de diversas casas, Periquita e Valpoliccela a preços bem convidativos, entre 30 e 50 coroas dinamarquesas, ou seja, entre R$ 10 e R$ 15 - e pasmem, é basicamente o mesmo preço de uma coca-cola família.
Para ocasiões mais refinadas, os renomados são também atrativos pelo custo. Dia desses gastei alguns minutos namorando um Brunello de Montalcino na vitrine de uma adega situada na principal rua turística de Roskilde, Dinamarca, a Algade (fica bem no comecinho da rua, reservada apenas a caminhantes e bicicletantes). Resolvi entrar e para meu espanto o preço era bem amigável, algo como R$ 80 – no Brasil pode-se multiplicar esse valor por cinco. Lá dentro bons vinhos de Rioja e espumantes Cava (Espanha); da Itália um prosecco de Valdobbiadene e tintos do Vêneto; do Piemonte tinha um Barolo de R$ 35; da França Borgonhas, Bordeaux, Côtes Du Rhône - um Châteauneuf-du-Pape de R$ 60 que me fez salivar – e Veuve Clicquot a R$ 70. Jurei voltar, não sem antes aproveitar uma promoção de dois Rosso de Montalcino por R$ 50.
Não vi na adega rótulos conceituados do Chile e da Argentina, no que concluo que os vinhos sul-americanos são para o público menos afortunado.
Pergunto ao dono da adega porque preços tão singelos para os vinhos - considerando que uma garrafa de vodka Smirnoff de 750 ml sai por quase R$ 60. A resposta foi óbvia: na Europa, vinho é considerado alimento, não bebida alcoólica, e submetido a tributação camarada.
Lembrei logo de um bate-papo fortuito que tive em Brasília com o ex-deputado federal e atual superintendente da Cooperativa Vinícola Aurora, Hermes Zanetti (PSDB-RS) – ele é padrinho de casamento um grande amigo meu em Goiânia. Ele me dizia que já no começo da década de 1990 apresentava essa reivindicação ao Congresso Nacional.
Pois já se passaram quase 20 anos e até agora nada.

Tem nada a ver com o assunto a foto... Mas é lindo, né não? Por do sol da janela do meu cafofo

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Aspectos da vida na Escandinávia (II)

(Este é o segundo texto da série Aspectos da vida na Escandinávia - é óbvio, eu sei, está escrito no título, mas preciso do parêntese. No primeiro texto explico o que a série significa. Clique neste link, Aspectos da vida na Escandinávia (I), ou se preferir, ou leia o blog de baixo para cima. Não sei como resolver esse problema: para os que estão aqui pela primeira vez os textos perdem a ordem cronológica e precisam dessa, digamos, introdução. Aos que já vieram aqui torna-se ambíguo. Fazer o que? Esperar vossa generosa compreensão. E toda vez que postar, explicar tudo outra vez. Enfim:)

Na foto, no jardim da Universidade de Gotemburgo, a árvore que produz a maçazinha azedíssima que ninguém deve comer... Vá por mim

As Macieiras
Alguém lembra do samba?
“Laranja madura,
na beira da estrada
Tá bichada, Zé
Ou tem marimbondo no pé.”
Pois é. Aqui na Dinamarca o povo até gosta de samba, mas não entende a letra. Nas calçadas as macieiras estão carregadas, as frutas amadurecem a caem no chão e... Ninguém pega. Não é educado, não lhe pertence. É do dono da casa.
- Mas nem se pedir? – questionei a um dinamarquês. Ele não entendeu o que era pedir... Eu menos ainda... Até porque uma polonesa me garantiu que se as maçãs não forem colhidas a macieira adoece. É. Então ta bão.
Ah!, tem muito por aqui uma árvore que dá uma frutinha vermelha do tamanho de uma cerigüela, seriguela (agora ferrou: peraí, dicionário... Dia desses encontrei na Suécia um brasileiro de Cuiabá que estava já há três anos na Itália e havia esquecido o português. Ele me disse que era do mesmo país que o meu e eu retruquei dizendo que não era de Angola.)... Achei. Vixe! Tanto faz com “c” ou com “s”, mas há trema nas duas versões. Enfim, estejam avisados: não coma a tal da frutinha vermelha. É uma maçãzinha azeda qual limão e que aperta que nem banana verde. Essa ninguém pega mesmo. Só os desavisados...

Uma das três pereiras no quintal do prédio onde eu e Cris moramos. A pêra vai ficando marrom quando amadurece aqui. Havia três até semana passada. E não iam escapar. Mas chegou outro brasileiro antes e faturou

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A melhor cerveja do mundo

Barmam do Krogen Soldaten Svejk, pub em Estocolmo que só vende cerveja da República Tcheca, considerada a melhor do mundo (clic na foto para ver a bandeirinha do Brasil no pulso do rapaz). Abaixo, a cerveja nos copos, descansando: são entre 10 e 15 minutos para assentar a espuma e obter a temperatura ideal. No destaque, cartão com o endereço do pub

Noite de verão em Estocolmo, sol ainda alto - mais ou menos 20h30 -, os suecos em mangas de camisa para enfrentar o calor infernal daqueles 14 graus e nós, eu e minha mulher Cristina, feito esquimós de tanto casaco (os que tínhamos nas malas e outros que adquirimos emergencialmente no comércio local). Rodávamos pelas largas avenidas da belíssima capital escandinava à procura de um pub, o Pelikan (www.pelikan.se), indicação do Guia Time Out, do estadão.com. Fica na ilha de Södermalm (Estocolmo está erguida sobre 14 ilhas, ou 16, esqueci), na Blekingegatan 40. Na Suécia, toda rua termina em gatan. Manégatan é rua do Manoel, ou algo assim. Lotado, entupido – o Pelikan. Mais gente de fora esperando mesa do que dentro. Cristina quis entrar só para dar uma olhada. Quando voltou, dizendo que o lugar era bem maneiro, me encontrou petrificado diante dos preços descritos no menu afixado na parede (sangue de Jesus tem poder, comemorei).
Meia-volta, paramos num 7 Eleven, loja de conveniência epidêmica na Europa, compramos uma lata de cerveja barata de meio litro, alguns pistaches e saímos a vagar sem rumo por Estocolmo bebericando e quebrando castanhas. Observávamos os restaurantes, pubs e lanchonetes (mais especificamente os preços dos cardápios) pelo caminho. Um ou outro catador de latas e garrafas vasculhava o lixo (veja tópico reciclagem na série Aspectos da vida na Escandinávia). De gatan em gatan já eram quase 22 horas, o sol fora embora, enfim, a cerveja acabara, o estômago reclamara e o frio apertara... Era necessária uma decisão: ou entraríamos em algum lugar ou iríamos embora para o hotel. À nossa frente a Östgötagatan. De uma lado um pub hippie-chique muito cheio e do outro, numa portinha apenas, o Krogen Soldaten Svejk (
www.svejk.se). Pois é, tem até site. Havia um tamboretão vazio no balcão. Cristina sentou-se e eu fiquei em pé ao seu lado. Aguardaríamos vagar uma das quatro mesas do boteco para comer qualquer coisa e vazar.
Enquanto isso aparece o barmam. Garoto, cabelão loiro com rabo-de-galo, estende o braço com o cardápio. Notei no pulso a pulseirinha com a bandeira do Brasil desenhada em missangas. Humm. Em inglês, pedimos uma cerveja sueca, queríamos experimentar algo local. O jovem respondeu que ali só vendiam cerveja boa. Hummmm. Ao cardápio, enfim. Demoramos uns 10 minutos assuntando nomes e preços, a maioria em torno de R$ 12 um copão de meio litro. Até que o sujeito do lado se compadeceu do nosso sofrimento e esclareceu que ali só se vendia cerveja da República Tcheca, considerada a melhor do mundo. Huuuummmmmmmm... Bendito Pelikan.
Cristina pediu uma Bernard Ljus (a melhor do planeta) e eu uma Bohemia Regent (a tal Bohemia original que a gente tanto ouve falar no Brasil). Na nossa frente mesmo o rapaz pegou os copos e, quando acionou a bomba do chopp, a espuma jorrou da base ao topo. Parecia sabão em pó. Eu olhei para aquilo e comecei a empolar. Como que eu explico para um sueco que a minha era sem colarinho? Depois deixou a cerveja lá, branquinha de cima a baixo, em frente à bomba de chopp, e saiu, todo pimpão. Desapareceu. Eu e Cristina entreolhávamo-nos não acreditando que a melhor cerveja do mundo era pura espuma e ainda por cima quente!
Mas de novo o cidadão do lado nos socorreu, já que nosso desespero era visível. Aquele era o modo tradicional e não se abria mão do processo no Svejk. A cerveja ficou lá bem uns 10 minutos, a espuma toda desceu e o cabra voltou para completar até o vinco que indicava 50 cl. Tudo nos conformes. De fato era uma cerveja, digamos, diferente, encorpada, cremosa - e olha, depois de tanta frescura, não precisa ser expert, você acaba impressionado e induzido a achar a bebida uma maravilha.Enfim, para resumir, o cara do lado conhecia o Brasil e não parou de falar. Disse maravilhas de um tal hotel de gelo no norte da Suécia que a gente precisa conhecer no inverno (depois me lembrei que vi no Discovery Channel). O botequinho bombou de gente e pedimos mais cerveja. O playboy do barmam ouviu que e gente era brasileiro e não parava de mostrar a bandeirinha no pulso. Esquecemos de comer. Tiramos fotos de tudo e de todos na maior farra. E depois de tomar da melhor cerveja do universo conhecido encaramos dois quilômetro à pé na madrugada fria de Estocolmo para comer um x-bactéria com coca-cola numa biboca ao lado da estação de metrô.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Aspectos da vida na Escandinávia (I)

Essa seção do blog traz curiosidades sobre lazer, transporte, clima, cultura, moda e o cotidiano em geral na Escandinávia. Serão textos rápidos (é difícil escrever pouco) e leves que vou postando sempre que algo me chamar a atenção. Talvez eu faça alterações nos textos já postados porque minhas impressões podem muder à medida em que me familiarizo melhor com as situações, e aí eu aviso. Espero ilustrar os posts com fotos. Pelo menos alguns deles.
Começo com o básico, a alimentação: bom apetite.


A Comida
A alimentação está globalizada. Acha-se de tudo nos supermercados e há restaurantes de todas as nacionalidades na Dinamarca e na Suécia. Na primeira vez que fui às compras me chamou a atenção as maças fuji e gala. De onde? Do Brasil, Santa Catarina, acho. Mas logo maçã, que tem um pé em cada esquina por aqui!? É.
Bananas vêm da África e das américas Central e do Sul. Pastas são italianas; queijos, franceses, holandeses e suíços, nada muito diferente. Os tomates e outras hortaliças, em sua maioria, são dinamarqueses mesmo. Daqui chama a atenção o pão preto, fermentado, com grãos de trigo inteiros, pesado e saboroso. Há centenas de marcas e variações. Come-se com queijos cremosos, patês de fígado flavorizados, margarina, folhas, tomates etc.. Há pães para hambúrgueres e cachorros-quentes, uma mania nacional. Cereais matinais, carnes de frango, porco e boi, salsichas variadas. E batata, claro. A salada de batata, com molho à base de maionese, é tradicional.
A comida não é barata mesmo. Exemplos: um litro de leite custa perto de 4 reais; Nescafé, R$ 15 o pote de 100 gramas; banana é praticamente 1 real a peça; meio quilo de tomates, R$ 5; um quilo de cebolas, R$ 4; um quilo de carne moída, R$ 30; meio quilo de peito de frango, R$ 17; frango inteiro, R$ 22. Carne de porco é mais em conta. Peixe só dinamarqueses muito ricos comem, de tão caro que é. E já vem defumado – nham-nham. Me disseram que aqui seria o paraíso do bacalhau e eu ainda nem vi... Tem supermercado para pobre (Netto, Fakta, Audi) e para rico (Fotex, Super Brugen). A diferença de preços é sensível.
Ah!, molho de tomate enlatado é barato, R$ 1,50. Macarrão também é uma boa opção. O manjericão é vendido vivo, nos vasinhos. Achei bem legal. Arroz só tem em pacotes de um quilo e custa uns R$ 8.
Detalhe: acha-se guaraná Antarctica nas gôndolas fácil-fácil, mas é uma facada, R$ 6 a latinha.
Aspecto importante é a preocupação com a boa-forma do povo dinamarquês. Leite com 1,5% de gordura aqui é para o gato. A gente toma porque é mais barato. Em qualquer produto lê-se com destaque a inscrição: no máximo x% de gordura e no mínimo y% de fibras. E bota fibra no negócio. Vai-se ao banheiro para o “número 2” de manhã, de tarde e de noite.


Encontra-se nos supermercados bananas "Chiquita Jr.", pimentas Piri Piri, as mais fortes que encontrei até agora (pode-se mastigá-las puras) e Nescafé Guld. Lembra Ricardo? Só comprei o primeiro - vai ser caro assim lá em Frankfurt

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Tem coisas que a Mastercard não faz por você

Após sermos expulsos do trem, eu e Cristina chegamos a Estocolmo, a cidade dos balões: passeio pelo céu custa em torno de 1.600 coroas suecas, ou R$ 400, por pessoa (foto: turista japonês - são os melhores, não tem erro)

Mais de 20 dias na Dinamarca, já acomodados num flat modesto, mobília básica adquirida e recesso de uma semana nas aulas de dona Cristina – que faz um mestrado em Comunicação na Universidade de Roskilde -, decidimos arriscar um breve giro pela Suécia. Verão na Europa é sinônimo de turismo. Não esperávamos, contudo, que um passeio de cinco dias pudesse reservar tanta emoção. Especialmente para mochileiros de primeira viagem.
Antes de tudo, pesquisar preços de transporte. Avião foi logo descartado, já que estava em cima da hora e as tarifas, nas nuvens. Por aqui o negócio é pesquisar nas companhias mais baratas (veja links no fim do post) e com pelo menos dois meses de antecedência. Enfim, o melhor seria (ou poderia ter sido) ir de trem, apreciando a paisagem escandinava.
Numa rápida pesquisa na internet encontramos o site da empresa sueca SJ (veja link) que mostrava preços muito mais baratos do que a expectativa mais otimista e que poderiam ser comprados ali mesmo, depois retirados em máquinas automáticas nas estações. Pela bagatela de 54 euros reservamos os melhores lugares na segunda classe - para não esbanjar - no trecho Malmo/Gotemburgo/Estocolmo/Malmo.
Hotéis (os mais baratos) reservados e bagagem pouca nas costas, lá vamos nós.
De Malmo a Gotemburgo tudo lindo, céu azul e sol. De um lado mar. Do outro, lagos entremeados por florestas de coníferas e campos de feno já colhidos, além de muitos daqueles enormes ventiladores de usinas eólicas (ecologia é coisa séria aqui, mas depois falo disso). O único problema, nada que pudesse comprometer o passeio, era o cheiro de muitos dias sem banho do cobrador que veio conferir nossas passagens e que volta e meia passava pelas nossas cadeiras.
Após dois dias de périplo pela bonita Gotemburgo, voltamos ao trem para desfrutar do trecho pelo interior ermo da Suécia até a magnífica capital, Estocolmo. Tragicamente, entretanto, não pudemos apreciar o caminho.

Loiro mau
Desta vez o cobrador era uma mulher simpática e cheirosa, porém rigorosa. Era o começo do martírio. Pegou nossas passagens, fez um muxoxo e disse-nos alguma coisa em sueco. Desculpamo-nos e perguntamos se poderia falar em inglês (por aqui todo mundo fala). Esclareceu que precisava ver o nosso passe, que aqueles bilhetes referiam-se apenas às reservas dos assentos. Como assim!?! Não aceitamos a resposta e ela saiu, pedindo que aguardássemos.
Reclamei com a Cristina que a inexperiência da moça estava fazendo a gente passar vergonha na frente de todo o vagão – evidentemente todo mundo olhava para a gente. Pedi que ela pegasse as passagens de Malmo até Gotemburgo. Mas ela, sabiamente, preferiu esperar o desfecho da situação.
Voltou um rapaz louro, alto, olhos azuis e uma afetação contida pela importância de sua função – comissário-chefe. Kurt, vi seu nome no broche da SJ. Falava um inglês preciso. Confirmou o que a subordinada havia dito. O que tínhamos em mãos nos dava o direito de escolher as cadeiras desde que tivéssemos comprado o passe de acesso livre. Esse passe é o InterRail (veja link). Nele você escolhe por quanto tempo deseja viajar e a quantidade de localidades, sem assento marcado. O preço, por exemplo, fica entre 503 euros (15 dias) e 1.413 euros (3 meses) com acesso livre a 20 países. Valores para adultos. Jovens com 25 anos ou menos têm quase 50% de desconto.
Ao fim Kurt disse que teríamos de pagar ali mesmo os bilhetes, e na tabela mais cara, claro. Seriam os 18 euros da reserva mais algo perto de 2.300 coroas suecas, ou 270 euros no total. E o loiro ainda tripudiou: “Tem muita gente que acha que pode encontrar tudo mais barato pela internet”.

Píer em área residencial luxuosíssima em Mälmo, projetada pelo festejado arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Ao fundo, ponte que liga Dinamarca à Suécia. Abaixo, o famoso edifício Turning Torso completa o projeto urbanístico de Calatrava (fotos de Cristina Xavier de Almeida)

Passaporte
Ok. Cristina entregou-lhe ao comissário cartão de crédito visa do Itaú Personnalitè. Kurt pediu-lhe uma identificação, no que Cristina entregou-lhe a carteira internacional de jornalista, aquela vermelha com as letras douradas garrafais PRESS. Deveria impressionar, mas não fez efeito, nem aqui jornalista tem algum prestígio: “Se a polícia sueca te pedir um documento este não é válido. Só o passaporte.” Orientação básica para estrangeiros que estão na Europa, mesmo morando. Esteja sempre com seu passaporte. Ou, na pior das hipóteses, com uma cópia colorida plastificada. Cristina não portava nenhum deles. Kurt pediu um tempo e saiu. Demorou intermináveis 15 minutos para voltar e a gente já pensando em polícia, deportação. “Seu cartão não foi aceito, senhora”. Ofereci o meu, pois estava com o passaporte. Ele retrucou que com bandeira visa não seria possível, apenas American Express. Ótimo, eu tinha um comigo. Sem chance. O cartão era brasileiro, o que implica em outra dica. Tenha sempre dinheiro em mãos ou confira se seu cartão vale. Na Escandinávia, não raro, não são aceitos cartões internacionais, mesmo aqueles modernos, com chip e senha.
E Kurt sai novamente. Cinco minutos, volta. Se abaixa. Diz que tem umas perguntas para fazer. Na verdade só uma:
- Vocês teriam algum problema em deixar o trem na próxima estação e pagar a passagem no guichê?
- Temos opção? – ironizou Cristina.
- Não. Estamos atrasados e não podemos esperar por vocês. Outro trem vai passar em uma hora. Uma funcionária da companhia espera-lhes para auxiliá-los. (Na verdade, para evitar que não déssemos o cano no trecho já percorrido, quase a metade do caminho). Retiramos nossas mochilas e nos levantamos, o trem já desacelerando.
- Então, faz muito tempo que vocês estão fora da Espanha? – tentou aliviar Kurt, já nos acompanhando até a porta.
- Não somos espanhóis, somos do Brasil.
- Ohhh, really!? – desabrochou o loiro, sorridente. O pessoal daqui gosta de brasileiros. Especialmente na Suécia, porque a rainha, Sílvia, é filha de uma brasileira. - Mas vocês vieram do Brasil com tão pouca bagagem – suspeitou.
- Moramos na Dinamarca – esclareceu Cristina.
- Ohhh, nice. Bye, bye – enxotou-nos.
Compramos as passagens num trem pinga-pinga que passou uma hora e meia depois e que demorou outras quatro para chegar a Estocolmo. Perdemos o dia, mas o que me chateou mais foi um certo sarcasmo que notei nos suecos. Primeiro o cara achou que queríamos dar o cano na passagem. Depois, em Estocolmo, após ficarmos perdidos uma hora na imensa Estação Central, descemos de metrô perto do hotel e abordamos, em inglês, um passante.
- Como chegamos ao Hotel Formula 1?
- Ah! Um hotel daqueles bem baratos? – disse o sacana.
- Yes – respondi sorrindo e, em português, por entre os dentes, balbuciei – Cretino.
- Um que quase não tem serviço?
- Yes, desgraçado.
- Que tem os quartos bem pequenos?
- Yes, filho da puta.
- Acho que é à direita.
Era à esquerda.
Mas essa é outra história.

Os links, já ia me esquecendo.
Companhias aéreas baratas na europa:
http://www.easyjet.com/, http://www.airberlin.com/, http://www.vueling.com/, http://www.ryanair.com/, http://www.clickair.com/, http://www.wizzair.com/
Companhia férrea da Suécia (há outras, vá ao Google):
http://www.sj.se/
Passe de trem (há outros, esse é em português):
http://www.eurail.com/
Hotel Formula 1:
http://www.hotelformule1.com/
Prefere albergue?
http://www.hostelbookers.com/, http://www.hihostel.com/, http://www.hostelword.com/

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Transposto o primeiro obstáculo


Eu resisti. Pensei que estava velho demais para incursões em tecnologia tão nova. Cedi. Agora cá estou, tentando fazer um blog - não pareceu tão difícil, confesso. Já haviam me dito que deveria tê-lo feito há uns dois anos. Talvez a questão fosse... É que só agora, do outro lado do mundo, tenho novidades para contar.
Enfim, aos amigos e curiosos, compartilho um pouco dessa experiência.
Venham comigo.
Na foto, pescaria de salmão no coração de Estocolmo (clique na foto para ampliar)