quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Aspectos da vida na Escandinávia (III)

Se você é novo aqui no blog pode acompanhar a série desde o princípio. É bom para entender o contexto. Clique neste link, Aspectos da vida na Escandinávia (I), ou leia os textos de baixo para cima. Hoje vamos falar de coisa muito boa:


Minha nascente adega: Rosso de Montalcino ao centro, ladeado por garrafas de vodka e de vinho do porto. Ambas já pela metade...

O Vinho

Se a Escandinávia produz vinho eu ainda não vi. Nas gôndolas dos supermercados ou nas adegas encontra-se de tudo e do mundo inteiro. Chamou-me a atenção os vinhos chilenos e argentinos, alguns bem conhecidos no Brasil, como os das casas Concha & Toro e Trivento. Vinhos franceses, espanhóis, italianos e portugueses também são encontrados, mas parece haver alguma curiosidade pelos produtores do novo mundo, com californianos, sul-africanos, australianos e neo-zelandeses recebendo destaque.
Nos supermercados baratos encontra-se portos de diversas casas, Periquita e Valpoliccela a preços bem convidativos, entre 30 e 50 coroas dinamarquesas, ou seja, entre R$ 10 e R$ 15 - e pasmem, é basicamente o mesmo preço de uma coca-cola família.
Para ocasiões mais refinadas, os renomados são também atrativos pelo custo. Dia desses gastei alguns minutos namorando um Brunello de Montalcino na vitrine de uma adega situada na principal rua turística de Roskilde, Dinamarca, a Algade (fica bem no comecinho da rua, reservada apenas a caminhantes e bicicletantes). Resolvi entrar e para meu espanto o preço era bem amigável, algo como R$ 80 – no Brasil pode-se multiplicar esse valor por cinco. Lá dentro bons vinhos de Rioja e espumantes Cava (Espanha); da Itália um prosecco de Valdobbiadene e tintos do Vêneto; do Piemonte tinha um Barolo de R$ 35; da França Borgonhas, Bordeaux, Côtes Du Rhône - um Châteauneuf-du-Pape de R$ 60 que me fez salivar – e Veuve Clicquot a R$ 70. Jurei voltar, não sem antes aproveitar uma promoção de dois Rosso de Montalcino por R$ 50.
Não vi na adega rótulos conceituados do Chile e da Argentina, no que concluo que os vinhos sul-americanos são para o público menos afortunado.
Pergunto ao dono da adega porque preços tão singelos para os vinhos - considerando que uma garrafa de vodka Smirnoff de 750 ml sai por quase R$ 60. A resposta foi óbvia: na Europa, vinho é considerado alimento, não bebida alcoólica, e submetido a tributação camarada.
Lembrei logo de um bate-papo fortuito que tive em Brasília com o ex-deputado federal e atual superintendente da Cooperativa Vinícola Aurora, Hermes Zanetti (PSDB-RS) – ele é padrinho de casamento um grande amigo meu em Goiânia. Ele me dizia que já no começo da década de 1990 apresentava essa reivindicação ao Congresso Nacional.
Pois já se passaram quase 20 anos e até agora nada.

Tem nada a ver com o assunto a foto... Mas é lindo, né não? Por do sol da janela do meu cafofo

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