segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Aspectos da vida na Escandinávia (IV)

Eu entendo a cobrança a respeito dos textos sobre Berlim e me desculpo pela demora. Eles até já foram escritos, mas eu estou com alguma dificuldade para escolher as fotos. E também recebemos a visita da Ana Lúcia, grande amiga, e tivemos de ciceroneá-la por Copenhagen (tarefa difícil!). Enfim, agora estou partindo para Amsterdã. Volto no fim de semana com muito assunto na bagagem. Deixo um texto que escrevi dia desses sobre um importante detalhe da vida na Dinamarca:

As flores
Jardim na Dinamarca é coisa mística, sagrada. As famílias se esforçam para manter um, mesmo que seja apenas um vasinho ou uma floreira na janela. Os mais afortunados, aqueles que têm quintal - o que é raro aqui, pois moradia é caríssima – se orgulham muito de suas muitas flores.
Quando deixei na internet um pedido de ajuda para arrumar casa na Dinamarca um cidadão que aqui morara me respondeu que o mais importante era o jardim... Por uns dias fiquei apavorado, porque no meu bolso só cabia apartamento. Aí uma mestranda da Universidade de Copenhagen esclareceu a questão. Disse que jardim é legal, aproxima as pessoas e alegra o ambiente, mas para quem ia ficar só seis meses era besteira, pois no inverno morre tudo, sobra só os galhinhos secos.
Então, para aproveitar as floradas do verão, nas calçadas há diversos floristas vendendo tudo quanto é flor e planta, de rosas a girassóis, de coqueiros a bonsais. Nos supermercados idem. Até em loja de móvel se vende planta. Eu e Cristina, claro, compramos três vazinhos, uma campânula, um canaxuê e uma orquídea.
O mais interessante mesmo aqui é o mato. Uma amiga da Cris até já havia alertado de que na Dinamarca em vez de capim, nos lotes baldios nascem flores. Realmente. É chocante. Acaba que é mato mesmo, mas é baixo, bem rasteiro, e cheio-cheio-cheio de florzinhas de todas as cores. É impressionante. E o melhor: não tem dono. Flor pode pegar, ao contrário das maçãs.
Claro. Quando nós chegamos aqui tinha muito mais flor no mato. Mas agora que deu uma esfriada raleou. Toda vez que eu cruzava os 300 metros que ligam minha casa à estação de trem de Trekroner ficava de olho nas florzinhas.
No dia que a Ana Lúcia, uma amiga de Goiânia, chegou para nos visitar, fiz minha primeira colheita - para impressionar. Olha o resultado aí na foto.
Coube certinho no pote vazio de nescafé.





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