quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A melhor cerveja do mundo

Barmam do Krogen Soldaten Svejk, pub em Estocolmo que só vende cerveja da República Tcheca, considerada a melhor do mundo (clic na foto para ver a bandeirinha do Brasil no pulso do rapaz). Abaixo, a cerveja nos copos, descansando: são entre 10 e 15 minutos para assentar a espuma e obter a temperatura ideal. No destaque, cartão com o endereço do pub

Noite de verão em Estocolmo, sol ainda alto - mais ou menos 20h30 -, os suecos em mangas de camisa para enfrentar o calor infernal daqueles 14 graus e nós, eu e minha mulher Cristina, feito esquimós de tanto casaco (os que tínhamos nas malas e outros que adquirimos emergencialmente no comércio local). Rodávamos pelas largas avenidas da belíssima capital escandinava à procura de um pub, o Pelikan (www.pelikan.se), indicação do Guia Time Out, do estadão.com. Fica na ilha de Södermalm (Estocolmo está erguida sobre 14 ilhas, ou 16, esqueci), na Blekingegatan 40. Na Suécia, toda rua termina em gatan. Manégatan é rua do Manoel, ou algo assim. Lotado, entupido – o Pelikan. Mais gente de fora esperando mesa do que dentro. Cristina quis entrar só para dar uma olhada. Quando voltou, dizendo que o lugar era bem maneiro, me encontrou petrificado diante dos preços descritos no menu afixado na parede (sangue de Jesus tem poder, comemorei).
Meia-volta, paramos num 7 Eleven, loja de conveniência epidêmica na Europa, compramos uma lata de cerveja barata de meio litro, alguns pistaches e saímos a vagar sem rumo por Estocolmo bebericando e quebrando castanhas. Observávamos os restaurantes, pubs e lanchonetes (mais especificamente os preços dos cardápios) pelo caminho. Um ou outro catador de latas e garrafas vasculhava o lixo (veja tópico reciclagem na série Aspectos da vida na Escandinávia). De gatan em gatan já eram quase 22 horas, o sol fora embora, enfim, a cerveja acabara, o estômago reclamara e o frio apertara... Era necessária uma decisão: ou entraríamos em algum lugar ou iríamos embora para o hotel. À nossa frente a Östgötagatan. De uma lado um pub hippie-chique muito cheio e do outro, numa portinha apenas, o Krogen Soldaten Svejk (
www.svejk.se). Pois é, tem até site. Havia um tamboretão vazio no balcão. Cristina sentou-se e eu fiquei em pé ao seu lado. Aguardaríamos vagar uma das quatro mesas do boteco para comer qualquer coisa e vazar.
Enquanto isso aparece o barmam. Garoto, cabelão loiro com rabo-de-galo, estende o braço com o cardápio. Notei no pulso a pulseirinha com a bandeira do Brasil desenhada em missangas. Humm. Em inglês, pedimos uma cerveja sueca, queríamos experimentar algo local. O jovem respondeu que ali só vendiam cerveja boa. Hummmm. Ao cardápio, enfim. Demoramos uns 10 minutos assuntando nomes e preços, a maioria em torno de R$ 12 um copão de meio litro. Até que o sujeito do lado se compadeceu do nosso sofrimento e esclareceu que ali só se vendia cerveja da República Tcheca, considerada a melhor do mundo. Huuuummmmmmmm... Bendito Pelikan.
Cristina pediu uma Bernard Ljus (a melhor do planeta) e eu uma Bohemia Regent (a tal Bohemia original que a gente tanto ouve falar no Brasil). Na nossa frente mesmo o rapaz pegou os copos e, quando acionou a bomba do chopp, a espuma jorrou da base ao topo. Parecia sabão em pó. Eu olhei para aquilo e comecei a empolar. Como que eu explico para um sueco que a minha era sem colarinho? Depois deixou a cerveja lá, branquinha de cima a baixo, em frente à bomba de chopp, e saiu, todo pimpão. Desapareceu. Eu e Cristina entreolhávamo-nos não acreditando que a melhor cerveja do mundo era pura espuma e ainda por cima quente!
Mas de novo o cidadão do lado nos socorreu, já que nosso desespero era visível. Aquele era o modo tradicional e não se abria mão do processo no Svejk. A cerveja ficou lá bem uns 10 minutos, a espuma toda desceu e o cabra voltou para completar até o vinco que indicava 50 cl. Tudo nos conformes. De fato era uma cerveja, digamos, diferente, encorpada, cremosa - e olha, depois de tanta frescura, não precisa ser expert, você acaba impressionado e induzido a achar a bebida uma maravilha.Enfim, para resumir, o cara do lado conhecia o Brasil e não parou de falar. Disse maravilhas de um tal hotel de gelo no norte da Suécia que a gente precisa conhecer no inverno (depois me lembrei que vi no Discovery Channel). O botequinho bombou de gente e pedimos mais cerveja. O playboy do barmam ouviu que e gente era brasileiro e não parava de mostrar a bandeirinha no pulso. Esquecemos de comer. Tiramos fotos de tudo e de todos na maior farra. E depois de tomar da melhor cerveja do universo conhecido encaramos dois quilômetro à pé na madrugada fria de Estocolmo para comer um x-bactéria com coca-cola numa biboca ao lado da estação de metrô.

2 comentários:

Ricardo disse...

Essa cervejinha deve ter sido tudo de bom, mas em qualquer lugar do mundo, tem que se tomar uma Coca Cola depois..não adianta!!

Pedro Palazzo Luccas disse...

Mande uma lata via sedex. É o preço do resgate de seus documentos. hehehe.