quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A capital do século XX

(O texto a seguir é uma pincelada geral sobre a visita que eu e minha mulher, Cristina, fizemos à capital da Alemanha entre os dias 12 e 17 de setembro de 2008. Já tem mais de mês, eu sei, mas é que estamos com visita (meu sogro e minha sogra) e aproveitando para visitar outras atrações. O tempo está um pouco curto. Mas vamos lá. A Terra gira.
Abaixo, depois da geral, acrescento os detalhes das principais atrações de Berlim.
Boa viagem.)

Berlim reuniu mais história no último século do que qualquer outra cidade no mundo todo. Foi palco principal das maiores tramas do nosso tempo: as duas grandes guerras, o holocausto (para muitos a maior tragédia da humanidade), a guerra fria. Em contraste com seu passado glorioso, hoje em reforma, ainda são frescas as lembranças deste período tão obscuro para uma cidade que só recentemente foi libertada da barreira política, física e psicológica que a separou por quase meio século.
O povo é gentil, acolhedor e prestativo, diferente da imagem fleumática do germânico. Nos poucos dias que estivemos em Berlim fomos abordados por duas pessoas que, pressentindo nossa dificuldade com endereços, ofereceram ajuda. Por outro lado, diferente da Escandinávia, nem todo mundo fala inglês, nem mesmo os funcionários dos hotéis – resquícios da cortina de ferro, onde o estudo das línguas ocidentais era praticamente um crime.
Os berlinenses também se mostram envergonhados de seu passado. Um jovem que nos ofereceu ajuda no metrô fez questão de recomendar uma visita a Sachsenhausen, um antigo campo de concentração e de prisioneiros convertido em museu nos arredores da cidade. Disse que era um espaço deprimente (de fato o é), mas que deveria ser visitado e que tal episódio - o assassinato dos judeus - nunca deveria ser esquecido.
Berlim ainda é um canteiro de obras mesmo 60 anos após o fim da Segunda Guerra - os bombardeios aliados aniquilaram praticamente todos os prédios da cidade. As construções, porém, hoje concentram-se no lado oriental, que conhece um espantoso boom imobiliário próprio de seu capitalismo lactente.
É também do lado leste que se encontram os grandes monumentos e patrimônios arquitetônicos e culturais da antiga pérola do Império Prussiano, hoje em reforma para que sejam convertidos em museus e locais de visitação pública (a União Soviética, que chegou primeiro a Berlim para dar um fim definitivo à guerra, cobrou caro pelo seu milhão de soldados mortos, ficando com o melhor da cidade).
Berlim respira cultura, arte, cosmopolitismo e energia. Os melhores maestros do mundo regem as orquestras de lá. Grandes mestres da pintura mundial encontram-se em suas galerias. Os maiores artistas da música pop (Madonna foi o último) a incluem invariavelmente em suas turnês. Até Barak Obama fez um comício recentemente que reuniu impressionantes 100 mil alemães.
Ao lado de Berlim, a 40 minutos de metrô, está Potsdam (o metrô merece o parêntese, pois há outra cidade subterrânea, com um sistema impressionantemente eficaz com incontáveis estações e rigorosíssimo nos horários). Potsdam, a jóia da dinastia dos Frederico, os grandes reis germânicos, é parada obrigatória. Com vários castelos e edifícios históricos (alguns em reconstrução), principalmente no Parque Sansouci, Potsdam está para a Alemanha como Versailles está para a França. É incrível. Tire pelo menos um dia para caminhar pelo impressionante jardim.
Um passeio honesto por Berlim e arredores merece bons 10 dias. Tive só a metade disso. E uma frente fria que fez a temperatura despencar a menos de 10 graus tornou particularmente dolorosa a visita ao campo de concentração de Sachsenhausen.


Fotaça do "morrinho artilheiro" comigo, Cristina e o Reichstag reformado emoldurando: vale uma subida na cúpula modernosa

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