quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Aspectos da vida na Escandinávea (V)

O Vizinho

Dia desses o vizinho fez contato. Veio pedir um martelo emprestado, que eu não tinha. Ele estranhou. Disse que ouvira diversas batidas semelhantes a pregos sendo inseridos na parede. Eu contra-argumentei que deveria ser a reforma no apartamento de baixo, que estava sendo preparado para o próximo inquilino. Só uns três dias depois é que fui notar que o barulho que ele ouvia eram as pancadas que eu dava o cabo da faca quando amassava alho. Mas não expliquei nada, e ele deve estar pensando que eu regulei o martelo.
O cara é meio esquisitão. Uma vez eu estava do lado de fora do meu ap e ele foi passando no andar de baixo, seguido por um rotiváiler mamutesco. De repente, ele pisa em falso num degrau muito pequeno e se estabaca no chão. Eu tentei esconder o riso e entrei logo em casa antes que ele me visse (para não constrangê-lo). Mas ele me viu. Talvez por isso tenha demorado tanto a fazer contato.
A figura é esquisita mas gente fina. Convidou-nos a conhecer sua casa – o rotiváiler lá, babando no canto da boca, cheirando lá onde não deve. E não só o cão. Tem também um gato alaranjado, peludão; um ramster, um peixinho dourado e uma tarântula enooooorrrrrrme. Toda a cadeia alimentar reunida em menos de 30 metros quadrados. O mais impressionate e que nunca ouvi um latido ou miado que seja. Muito comportados os bichos. Só o rato que precisa de adestramento. O quicquic dele às vezes incomoda.
O nome do cara é Miguel. Em dinamarquês fica mírrel. Convidou-nos para um café num dia qualquer. Retribuimos a deferência e apresentamos-lhe o nosso ap, no que ele recomendou-nos colocar alguns quadros na parede – ele ia arrumar o martelo e emprestar-nos. Mas dissemos que não poderíamos, porque o zelador havia nos proibido de furar a parede sob pena de pagar ‘muito caro por isso’. Ele disse que era caro coisa nenhuma, que sabia por que era pintor de paredes.

Hummm.
Estamos no aguardo do café.
Talvez eu lhe faça uns pães-de-queijo da Yoki. Minha sogra, quando em visita, trouxe-nos uma dúzia de saquinhos do Brasil.

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