quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Aspectos da Vida na Escandinávia (VI)

A Reciclagem

No tópico A Cerveja eu disse que quem devolve a lata ganha um dinheirinho.
É isso mesmo. Vamos aos detalhes.

Todo supermercado recebe as embalagens de bebidas, sejam elas de plástico, vidro e metal, retornáveis ou não. O sistema é prático, simples, eficiente e ecológico, muito bacana mesmo. O cidadão vai fazer suas compras e leva as garrafas e latas que acumulou. Lá no supermercado, todos, é lei, tem uma máquina onde se insere um recipiente de cada vez. A engenhoca reconhece a embalagem e imprime uma lista com o valor de ressarcimento, correspondente ao item. Então o cidadão pega a lista, vai ao caixa e, ou saca a grana, ou abate nas compras.
Aqui tem pet retornável, com o plástico mais duro para que possa ser preenchida novamente. Rende 3 dkk, pouco mais de um real. O vidro das long neck também volta. E cada latinha de alumínio vale 1 dkk, ou seja, perto de 40 centavos de real.
A máquina que recolhe os vasilhames já faz tudo. As retornáveis vão para os respectivos engradados. Latas e plásticos recicláveis são triturados, prensados, amarrados e paletizados para o transporte até a indústria.
Como rende uma graninha boa, e há cidadãos que não se preocupam em recuperar, tem catador de lata aqui, porém em números infinitamente inferiores aos do Brasil. Em Copenhagen tem uma velhinha no metrô que já é conhecida de todos. Em Estocolmo, na Suécia, o contingente de pessoas que vi vasculhando o lixo foi maior.
Certa vez li uma matéria de um jornal de Portugal sobre um português que vive nas ruas de Copenhagen e que, diz, fatura 1.500 euros catando latas e garrafas.
Outras coisas interessantes sobre consciência ecológica por aqui.
Para onde se olha na Dinamarca se vê algum daqueles cataventões de usinas eólicas. Em Copenhagen, há duas grandes usinas geradoras de energia com várias dezenas de ventiladores, um ao sul e outro ano norte da cidade, encravados no meio do mar, que é bem rasinho.
O supermercado dá sacola não. Se quiser, compra. Custa de 3 a 10 coroas dinamarquesas (entre R$1,2 e R$ 4). Todo mundo já sai de casa com as sacolinhas debaixo do braço. Ou cheia de garrafas para devolver.
O detergente bom aqui é o que faz pouca espuma, para gastar menos água na hora de enxaguar. E a economia não fica só no discurso, pois o reflexo na conta é sensível.
Descarga no banheiro? Tem daquelas de válvula não, nem nos prédios públicos! É tudo na caixa, pequena para os padrões brasileiros, que fica sobre o assento. Detalhe importante: tem dois estágios, meia água para o xixi e água inteira para o resto.

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