domingo, 26 de julho de 2009

Praias, ciprestes e vinhos na mítica Toscana

Chianti Clássico, Brunello di Moltalcino e Nobile de Montepulciano. Três dos vinhos mais famosos da Itália (e do mundo), separados por uma bucólica e segura rede de pequenas rodovias com menos de 100 quilômetros (SR-222, SP-146). Adicione outros 100 (SS-1 – Via Aurélia) e desembarque no deslumbrante cárcere de Napoleão: Ilha de Elba, rochedo que esconde em suas baias e enseadas as mais belas praias da Itália (e da Europa). É. O imperador francês era tão importante e admirado que até a sua cadeia se parecia mais com paraíso.

Vamos lá. Florença, capital da Toscana, é sua base. Tem aeroporto, mas às vezes você desembarcará em Pisa, o que é bom, porque é pertinho e dá para ver a torre inclinada. Florença possui todas as grandes empresas de aluguel de carro, no centro ou lá mesmo no aeroporto. Uma boa pesquisa e reserva antecipada pela internet pode redundar em barbada, ou seja, uma diária de menos de 30 euros no carro. Tá, não e um carrão italiano, Alfa Romeo etc. Mas os modelos básicos na Europa já vêm com todos opcionais que no Brasil elevam o preço dos carros à categoria luxo.

Programe-se. Uma semana?

Ok. Mais do que suficiente para conhecer as mais deslumbrantes paisagens do centro da Itália, com as indefectíveis colinas verdes, amarelas e vermelhas da relva e das flores (das amapolas; em italiano, papavere) na primavera. As pequenas montanhas, delineadas pelos típicos ciprestes, sempre apresentam um castelinho no topo. Muitos são vilas onde se produz e se pode saborear in loco três dos melhores vinhos do mundo através de degustações guiadas (aqueles dos quais falei em cima, Chianti, Brunello e Nobile). Ah!, aproveite e adquira umas garrafas para levar para o Brasil. Aqui os impostos para importação são tão elevados que os preços são até 10 (isso), dez vezes mais caros.

Olha, além de vinhos, nesse roteiro a cada dúzia de quilômetros surgem novas descobertas nas vielas das mais bem-conservadas cidades medievais da Europa mediterrânea: Montalcino, Montepulciano, Pienza... Tá, você terá alguma dificuldade para estacionar por ali, mas vale o esforço. São cidades em que se visita em uma manhã. Mais adiante, verás Massa Marítima e seu duomo do século XIV, que abriga o túmulo de San Cerbone. Daqui, pegue uma autoestrada (SS-1) e estique até Piombino. De lá, siga num navio (com carro e tudo) em uma curta travessia (40 minutos) pelo mar tirreno até a jóia do Arquipélago Toscano.

Ilha de Elba.

Surpreenda-se com a paisagem impressionista da mistura de vegetação e pedras em cores pastéis do cume do Monte Capane, mil e 19 metros além do mar em uma subida quase vertical por um vertiginoso teleférico de 700 metros. A oeste, avista-se os contornos da Ilha da Córsega, território francês. Para, para, para. Antes de subir montanha de carona, considere uma outra escalada num trekking pelos diversos roteiros, no grau de dificuldade que vocês suportar, pela goegrafia acidentada de Elba, para depois descansar num belo mergulho no mar a partir de uma prainha escondida entre os penhascos (vai, vai, a água pode ser um pouco fria, mas logo se acostuma... E também não repare se algum (a) desinibido (a) fizer um top less ou emergir peladão (ona) da água cristalina).

Ufa! Ufa?

Não acabou, não. Ainda tem a volta: San Gimignano, a cidade das 60 torres; Cortona, do filme Sob o Sol da Toscana... Jesus Cristo! SIENA! (ahh, Siena, Palio, Torre del Mangia e os cafés mais charmosos que alguém possa imaginar), e Greve in Chianti, com suas maravilhosas vinhas e adegas... E...!!! Haja exclamações!

P.S. Está com tempo? Acrescente mais três dias e conheça a reformada Assisi, na província do Marche (a vila medieval, destruída por um terremoto em 1997, foi toda restaurada com pedras cor-de-rosa. Detalhe sórdido... Ficou parecendo a cidade da Barbie). Mas vá lá, estratégias de turismo a parte, Assisi é, para nós brasileiros, Assis, sinômino de fé e devoção. Isso mesmo, é a cidade do santo, onde fica a Basílica e o túmulo de São Francisco, um lugar, aliás, imerso num mistério desconcertante. Há sempre muitos peregrinos rezando e concentração daqueles frades de chinelo de dedo e seus votos de pobreza. Tem também, claro, a lojinha onde você pode comprar aquele terço benedicto para a sua vovozinha.

Assisi é terra ainda da Igreja de Santa Clara, que guarda seu túmulo e suas relíquias. Ironia é que na cidade do santo que mais simboliza o desprendimento das coisas materiais tão martelado pelo cristianismo, nos muitos cafés da avenida principal lê-se a inscrição logo na porta: “Copo com água só mediante pagamento”. Fiquei revoltado.

Bom, já que você está ali pertinho mesmo, vá a Spoleto, admirar seu belo duomo e as belas quedas d´água das Cascatas de Mármore. Gosta de emoções fortes? Tem Perúgia a algumas dezenas de quilômetros. A cidade está na região sísmica mais ativa da Itália, mas tem um belo duomo e culinária convidativa). Não, não dá para perder o Lago Trasimeno, alí do ladinho, 20 quilometrinhos, de carro é um pulo: às margens do lago é ideal passeios de bicicleta, tanto que hotéis e Bed and Brakefests já as incluem nas diárias. Às margens do Trasimeno, no Campo de Sangue, o general cartaginês Aníbal derrotou as até então invencíveis legiões romanas em 217 antes de Cristo, na segunda guerra púnica. É. Pitadinha de história.

Tá gostando? Então, que tal um pulo mais ao sul? Nápoles, Vesúvio, Pompéia, Herculano, Sorrento, Amalfi, Positano, Praiano... Não, não, esquece... Nessa região, ir de carro é coisa de maluco. Experiência própria (teve uma rua onde foi preciso rebater os retrovisores para o Cinquecento!!!! passar). Vai, vai, fica para a próxima. Mas de trem.

P.S.2. As fotos chegam em breve.

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