segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Respeitável público: “Companheiro Meirelles”

A disputa pelo governo de Goiás do ano que vem pode acontecer em dois extremos: emoção total ou rigoroso tédio. Pelos acontecimentos da semana passada (a visita de Lula, diga-se), por enquanto as coisas se encaminham para a primeira opção. Basta observar a confusão que os intensos e recorrentes afagos presidenciais ao companheiro Meirelles (o goiano e “anapolense” Henrique Meirelles, presidente do Banco Central) causaram por aqui.
O fator Meirelles, mesmo sem a chancela do Planalto (e mais com ela), é sem dúvida o elemento principal do vaudeville eleitoral até o momento. Meirelles é a surpresa, a novidade, o diferente, o inesperado, e isso estimula toda a diversidade de reações que foram vistas no nosso mundinho político.
É.
Mas, agora, convenhamos... Não há nada de espantoso no fato de Lula desagradar aos helênicos. Porque Lula deveria afagar Iris, quando tem a oportunidade (ou seria o dever?) de apoiar um auxiliar direto? Isso sim seria uma deselegância. Porque Lula deveria acompanhar os desejos do PT goiano? Não porque o PT faz parte do governo de Iris na Prefeitura de Goiânia, porque o fez quase mortalmente dividido. O PT considerou àquele momento o desejo de Lula?
Lembremo-nos que os dois deputados federais que estavam no palanque com Lula e Meirelles (e Iris), Rubens Otoni e Pedro Wilson, foram votos vencidos à época da decisão do PT de apoiar a reeleição do prefeito. Dos grupos que hoje controlam o PT, a maioria estão por Meirelles; o de Pedro, amigo de infância; o grupo delubiano... Só Otoni, aparentemente, poderia opor alguma resistência pelo fato de que, numa chapa majoritária com Meirelles à frente, outro “anapolense” dificilmente teria lugar.
E mais: porque deveria Lula afagar Iris, que, com excessão da mulher, não tem qualquer influência sobre a bancada do PMDB goiano na Câmara dos Deputados?
E mais ainda: filiando-se ao PP, Meirelles sepulta definitivamente qualquer resquício de possibilidade de o PP do govenador Alcides Rodrigues apoiar as postulações de Iris. E sem PT e PP, o que fará Iris? Enfrentará, com a cara e a coragem, uma disputa contra o ex-governador Marconi Perillo e contra um Meirelles escorado nos governos estadual e federal? Parece pouco inteligente.
O que fará o PMDB (quer dizer, Iris)? Lançará Adib Elias? Porque certamente Maguito Vilela não abrirá mão da Prefeitura de Aparecida de Goiânia para embarcar numa aventura que sequer o próprio Iris desejaria. Não, Adib na disputa seria revanchismo, infantilidade.
Restará a Iris, por fim, apoiar Meirelles, abrindo espaço para que sua mulher, Dona Iris, possa competir numa chapa ao Senado (isso pode ser o fator mais importante nas decisões do PMDB, inclusive reaproximando de Iris os atuais deputados federais).Enfim, o apoio de Iris a Meirelles é tudo que outros povos mediterrânicos (do PSDB, para ser claro) mais temem, e por isso foram também desagradados. Iris, num chapão das oposições, seria, como dizem, “uma baba” (ops), “mamão com açúcar”, “inhambu na capanga”, W.O. para Marconi. Aquilo que já disse lá em cima: tédio total. Iris e Marconi já se enfrentaram, e o povo já escolheu. Porque o eleitor mudaria de idéia tão radicalmente?

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