quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Meirelles: ao Senado, e avante

Chega mais. Quero te fazer uma pegunta ao pé do ouvido. Será que alguma vez nos últimos meses Henrique Meirelles considerou seriamente a possibilidade de disputar o governo de Goiás?
Hein?
Tá bom, é um tema complexo, eu sei, não precisa responder.
Porém, vamos pensar um pouco e analisar alguns fatos e declarações. Até ontem, o chefão do BC nunca havia dito que seria candidato. Pois bem. No dia de sua filiação ao PMDB, enfim, disse à revista Veja que disputar o governo do Estado é a única opção que não lhe serve.
Isso me deixou com algumas dúvidas: parece uma decisão (a de não disputar o governo de Goiás em nenhuma hipótese) muito grave para ter sido tomada assim tão repentinamente, poucos dias após ser lançado pelo presidente Lula e menos ainda de receber o convite de Iris Rezende para se filiar ao PMDB. Convenhamos que já deveria fazer parte de seus planos, né!? Pois é. Aqui, então, reside uma das confusões. Meirelles omitiu ao PP, ao governador Alcides Rodrigues, ao secretário Jorcelino Braga suas reais intenções? Não sabia o grupo palaciano das reais intenções de Meirelles? Certamente não, considerando o grau de estupor e decepção que se abateu na Casa Verde. No final das contas, Meirelles fez apenas tomar tempo valioso de Alcides e aliados nas articulações para a preparação de um nome competitivo para a disputa de 2010.
E, vejam só: depois de tantos ditos e desditos, até várias desditas, conclui-se que o objetivo de Meirelles mantém-se inalterado desde a sua primeira investida política no Estado, em 2002, o Senado. Todos devem se lembrar que, àquela época, ele havia obtido um compromisso (não cumprido) de ser um dos candidatos do PSDB ao cargo.
E tem mais: Iris Rezende sepultou qualquer suspeita sobre os planos de Meirelles de disputar o Senado ao afirmar, no ato de filiação, que o presidente do BC pode ser candidato ao que quiser, inclusive ao governo do Estado. É esmola demais, né não? Uma generosidade suspeitíssima. Ora, Iris nunca faria tal oferta sem a certeza de que a intenção do novo correligionário é diversa.
Bom.
Uma candidatura ao Senado implica dizer que Meirelles tem foco voltado para a política nacional e, por isso, como confirma Veja, considera a articulação para uma eventual vice na chapa de Dilma Roussef.
Esse é, contudo, um caminho espinhoso em se falando de PMDB. Já faz algumas eleições que o partido se divide quando confrontado com a possibilidade de apoiar à unanimidade um candidato presidencial. Sempre opta por uma neutralidade oportunista, liberando suas secções regionais para apoiar o candidato (ou até mais de um) que for mais interessante localmente, para depois negociar com o presidente eleito. E não me parece que isso ocorrerá agora. Tomemos como exemplo a atual divisão do partido. Se em Goiás e Rio de Janeiro Lula e PT deverão garantir tal apoio, o mesmo não deve ocorrer em dois dos maiores diretórios peemedebistas, São Paulo e Minas Gerais, com clara tendência de apoio a um candidato tucano, seja ele José Serra ou Aécio Neves.
E ainda tem mais: sempre surge nas vésperas da convenção um Garotinho da vida querendo ser candidato à Presidência, para moer ainda mais os pulverizados interesses internos do partido. Daí conclui-se que uma coligação formal com o PT é muito difícil, o que impossibilita que Meirelles seja indicado para vice (lembremos que na hipótese remota de uma aliança o neo-peemedebista deverá negociar com todos os grupos no PMDB, de Michel Temer a José Sarney e passando por Renan Calheiros, entre outras peçonhas).
A Meirelles resta, portanto, o Senado. Mas já sabemos disso.
Não sabemos é como a população vai encarar as atitudes de Meirelles. Vão dizer que nunca houve compromisso e essas coisas todas, mas foi claramente deselegante (para usar uma expressão elegante) com Alcides repassar a moeda da traição recebida do PSDB. Ao eleitor, pode parecer arrogante, como o foi quando abandonou seu mandato de deputado federal. E a velha história do sonho de governar Goiás? Desvaneceu-se? Não seria esta a melhor hora, com a máquina estadual em seu favor? Pois bem. Se não tinha interesse na política local, Meirelles deveria ter explicitado isso há mais tempo. Soa que, para o presidente do BC, governar Goiás não faz justiça às suas competências. E isso seus adversários não deixarão passar em branco. Além do fato de que o povo de Goiás também não costuma aceitar esse tipo de desaforo.