quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Caiado para Marina: "Intolerante, mas que se apresenta com a veste da delicadeza"

O líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), rebateu através de nota os ataques a ele perpetrados pela ex-senadora Marina Silva, que em entrevista ao jornal O Globo acusou o ruralista de ser “inimigo histórico” dos trabalhadores rurais (aqui). “É preocupante que alguém que postula a Presidência da República seja intolerante e hostil exatamente ao setor mais produtivo da economia, responsável por 23% do PIB e por mais de um terço dos empregos formais do país”, disse Caiado, ao sugerir que a crítica direcionada a ele reflete o “preconceito” da líder da Rede Sustentabilidade com os produtores rurais brasileiros.
As queixas de Marina em relação a Caiado tiveram o objetivo cirúrgico de inviabilizar a tentativa de aliança entre o DEM e o PSB em Goiás -- cujas tratativas já estavam em estágio avançado -- e dissociar seu projeto do histórico do ruralista goiano depois que a Rede declarou-se unida ao PSB no projeto presidencial de 2014. Surtiu efeito. À rádio CBN, o governador Eduardo Campos, presidente do PSB e virtual nome à sucessão da presidente Dilma Rousseff, respaldou Marina ao afirmar que “não há nenhuma aliança com Ronaldo Caiado nesse conjunto do PSB e da Rede”.
A declaração de Campos é escorregadia. Não só havia conversações avançadas para a formação de uma aliança entre o PSB e o DEM em Goiás como Caiado se apresentava como o nome para encabeçar a chapa ao governo goiano. O ruralista chegou mesmo a defender o apoio do Democratas a Campos, em detrimento de Aécio Neves e do PSDB.
Caiado, contudo, não atacou diretamente o presidente do PSB. Mas ironizou o recuo de Campos ao dizer que ele (Caiado) foi um dos primeiros políticos do País a defender a candidatura do governador pernambucano “por entender que ele poderia ter uma postura nova na politica brasileira, democrática, firme e corajosa”. E continuou: “Foi por crer na pluralidade que tinha me associado ao projeto político do governador Eduardo Campos, cujo discurso rejeitava radicalismos.”
O democrata, surpreendentemente, suprimiu na nota seu estilo agressivo. Durante todo o dia era esperada uma manifestação ainda mais dura. A senadora Kátia Abreu discursou e soltou nota em defesa de Caiado (aqui). Chegou a ser anunciado um pronunciamento bombástico na tribuna da Câmara. O estilo Caiado não se materializou, porém. A resposta limitou-se à nota, onde Caiado afirma que Marina se equivoca ao ver no produtor rural, “o maior empregador do país”, um inimigo do trabalhador. “É um colossal contrassenso. Em meu estado, Goiás, o agronegócio emprega nada menos que a metade da mão de obra ativa e responde por 67% do PIB.”
Caiado ironizou a suposta fragilidade da ex-ministra do Meio Ambiente, a quem classificou de intolerante, mas que se apresenta com a veste da delicadeza. “A candidata tem razão num ponto: somos, eu e ela, coerentes. Só que – e essa é nossa diferença – não sou intolerante. Não confundo adversário com inimigo.”

Abaixo, a íntegra da nota:

Nota Oficial
O veto da candidata Marina Silva não é à minha pessoa, mas ao que represento, em três décadas de vida pública: o setor agropecuário e a liberdade de iniciativa.
É preocupante que alguém, que postula a Presidência da República, seja intolerante e hostil exatamente ao setor mais produtivo da economia, responsável por 23% do PIB e por mais de um terço dos empregos formais do país.
Lamento que alguém, com tais pretensões, demonstre tamanho desconhecimento da realidade agropecuária brasileira e veja no produtor rural – o maior empregador do país – um inimigo do trabalhador. É um colossal contrassenso. Em meu estado, Goiás, o agronegócio emprega nada menos que a metade da mão de obra ativa e responde por 67% do PIB.
A candidata tem razão num ponto: somos, eu e ela, coerentes. Só que – e essa é nossa diferença – não sou intolerante. Não confundo adversário com inimigo. Democracia não é política de terra arrasada, nem se aprimora em ambiente de duelo. Fui – e sou – um político afirmativo. Jamais escondi minhas ideias. Mas sempre convivi em ambiente democrático e civilizado, sabendo lidar com o contraditório. Veemência não é intolerância. Frequentemente, bem ao contrário, a intolerância se apresenta com a veste da delicadeza.
Fui um dos primeiros políticos do País a defender a candidatura do governador Eduardo Campos, por entender que ele poderia ter uma postura nova na politica brasileira, democrática, firme e corajosa.
Foi por crer na pluralidade que tinha me associado ao projeto político do governador Eduardo Campos, cujo discurso rejeitava radicalismos. E foi em nome do pluralismo e do diálogo que dei boas vindas à candidata, que agora me exibe a face da intolerância.Essa ideia de “inimigo histórico” é antiga, retrógrada e preconceituosa e não atende aos interesses do País. Continuarei defendendo, no Congresso Nacional, os interesses do Brasil e do agronegócio, debatendo e apresentando propostas que harmonizem o desenvolvimento do país, compatibilizando-o com a preservação do meio ambiente.

Ronaldo Caiado
Líder do Democratas na Câmara dos Deputados
Brasília, 9 de outubro de 2013

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Por Marina, Eduardo Campos despacha Caiado

O governador pernambucano e presidenciável Eduardo Campos (PSB) afirma que o acordo com a Rede Sustentabilidade da ex-senadora Marina Silva vai promover uma reformulação das alianças do PSB nos estados. Campos se referia especificamente à aproximação em Goiás com o ruralista e líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado, que até então trabalhava pelo apoio do Democratas ao socialista não apenas em seu Estado, mas em nível nacional. Campos concedeu entrevista à CBN na manhã desta quarta-feira (9). Ouça aqui.
“Não há nenhuma aliança com Ronaldo Caiado nesse conjunto do PSB e da Rede”, disse Campos ao âncora Milton Jung na CBN. A declaração do governador pernambucano reforça a opinião de Marina publicada em vários jornais de que Caiado não é benvindo na aliança. “Essa decisão é do PSB e do Eduardo. Se prosperar a contribuição da Rede, é obvio que o (deputado Ronaldo) Caiado (DEM-GO) não se sentirá confortável nesse quadro, e imagino que ele já esteja se preparando para ir para a candidatura do Aécio. Porque, obviamente, na cultura da Rede não há lugar para um inimigo histórico dos trabalhadores rurais, das comunidades indígenas e para quem articulou a derrota do Código Florestal”, disse Marina a O Globo. 
Campos ponderou que há um quadro particular em Goiás de união de um grupo de partidos em oposição à polarização do PMDB do ex-ministro Iris Rezende e do PSDB do atual governador Marconi Perillo, chamado regionalmente de terceira via, ao qual estão integrados DEM e PSB. Com a entrada da Rede, porém, Eduardo sugere que a aliança será rediscutida: “Existe um quadro lá no Goiás (sic) de um conjunto de partidos na oposição ao PMDB e ao PSDB que vinham conversando, que vinham discutindo, e que, claro, com um fator como esse que ocorreu da aliança PSB-Rede, (se) isso vai mudar o curso do debate na política nacional, avalie nos Estados?” 
A declaração de Campos deve alterar os rumos da composição da terceira via em Goiás, onde se apresentam como possíveis governadoriáveis o próprio Caiado e o empresário Vanderlan Cardoso, recém-chegado ao ninho socialista pelas mãos do próprio governador pernambucano. DEM e PSB formavam a base da aliança, que, embora acrescida da Rede Sustentabilidade, agora vê-se ameaçada em um de seus pilares.
Caiado ainda não se manifestou sobre as declarações de Marina e de Campos.